Coprocessamento Aproveita Diferentes Tipos de Resíduos

03/08/2017


Coprocessamento Aproveita Diferentes Tipos de Resíduos
03/08/2017


Pneus inservíveis, borrachas, óleo usado e biomassas são materiais passíveis de aproveitamento


Caminhão despejando pneus para reciclagem (Budimir Jevtic/Shutterstock.com)

Em 2015, a indústria nacional de cimento coprocessou 1,5 milhão de tonelada de resíduos, o que representa substituição de 13,4% da matriz de combustíveis. Entretanto, o setor tem potencial de atingir a ordem de 2,5 milhões de toneladas e 25% de substituição. “Para esse avanço, é importante que haja o estabelecimento de políticas públicas que incentivem a atividade. Há países na Europa em que os índices chegam a 100%”, informa Fernando Dalbon, engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

O coprocessamento é uma técnica utilizada na fabricação do cimento que reduz a quantidade de resíduos gerada durante o procedimento. O método é executado por meio da queima de materiais em fornos de cimento, o que promove a preservação de recursos naturais por substituir as matérias-primas tradicionalmente empregadas. Há mais de 25 anos, a solução é utilizada e regulamentada em diversos países. No Brasil, as primeiras iniciativas ocorreram no início da década de 1990.

APROVEITAMENTO DE MATERIAIS

Os materiais passíveis de aproveitamento no coprocessamento são variados, com destaque para pneus inservíveis – aqueles que chegaram ao fim da vida útil e precisam ser descartados; para o blend de resíduos – mistura de componentes industriais; para as borrachas; para o óleo usado; e para as biomassas - casca de arroz, cavaco de madeira e lama de tratamento de esgoto. Atualmente, os elementos mais aproveitados são os pneus inservíveis. “No ano passado, o material representou 43% do total de resíduos com potencial energético utilizado, seguido do blend, com 41%”, relata Dalbon.

O cimento resultante atende às normas técnicas específicas da ABNT e pode ser encontrado no mercado. Como as suas características não são alteradas, o produto é comercializado normalmente. “Existem estudos acadêmicos de renomadas instituições que comprovam que a técnica não altera a qualidade do produto final”, diz Dalbon. A garantia da qualidade está presente em todas as legislações sobre o assunto.

PROCEDIMENTO

O coprocessamento é realizado pelas indústrias de cimento que têm fornos rotativos para a produção do clínquer (matéria-prima básica do cimento). Esses equipamentos devem ser devidamente licenciados e monitorados pelos órgãos ambientais competentes. “Para isso, necessitam atender aos procedimentos e critérios técnicos e operacionais preconizados pelas legislações federal e estadual”, ressalta o especialista.

O calcário e a argila são as matérias-primas tradicionalmente queimadas nos fornos de cimento para a obtenção do clínquer, que, depois de resfriado e devidamente moído com outras adições, transforma-se nos diferentes tipos de cimento Portland. O forno rotativo de clínquer é o mais indicado para o tratamento de resíduos graças às suas altas temperaturas; ao ambiente oxidante e alcalino; à estabilidade térmica; e ao longo tempo de residência (referência ao tempo em que os gases permanecem dentro do forno).

As temperaturas internas do forno, no qual o resíduo é inserido, atingem cerca de 2.000ºC. “Devido ao calor extremo, os compostos orgânicos presentes nos materiais são destruídos com eficiência de 99,999%”, explica o engenheiro, destacando que os inorgânicos são incorporados à estrutura cristalina do clínquer, não gerando cinzas.

VANTAGENS

Além da preservação de recursos não renováveis, o coprocessamento proporciona outras vantagens, como a redução do impacto ambiental das áreas de disposição de resíduos e a diminuição do passivo ambiental dos aterros. “A ação é útil à sociedade, pois realiza um serviço de destruição de resíduos de maneira segura e definitiva, associada com a recuperação de energia e materiais. A utilização dos fornos de cimento representa importante ferramenta de gestão ambiental”, finaliza Dalbon.

Colaboração Técnica
Fernando Dalbon – Engenheiro ambiental da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Fonte: aecweb






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